Dakota em L.A.

Dakota Fanning
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6 Respostas até o momento »

  1. 1

    brunacullen155 disse,

    Sei lá…provavelmente em algum do tanço (sabe, o au-au) Bom, to te passando o 1 capitulo, ainda naum editei tá…pod ta com erro e meio sen graça.
    Ha… e num fiz tuas foto :)
    Assim que ler, copia, cola em outro lugar e apaga. Se tu fizer isso em 10 minutos começando agora (16:37) te dou duas fotos do Rob *free
    Tchau *-*

    1 – O começo do fim

    Era um dia ensolarado na minha encantadora Verona, nada de muito anormal havia acontecido naquela manhã a não ser o fato de que minha mãe acordará cedo. Há dias eu havia notado ela diferente, andava de um lado para o outro pela casa, o que me deixará sinceramente preocupada. Parecia que aquela manhã era decisiva para Meg, eu estava prevendo que ela queria falar algo comigo á muito tempo, como eu disse, ela estava muito estranha, e isso começou quando ela foi demitida de seu emprego de balconista. De novo. Desci as escadas e sentei-me no sofá.
    - Sam? – Ela me olhava quase me obrigando a perguntar o que estava acontecendo. Mesmo assim, fiquei muda por um tempo, mas depois de dois minutos me obriguei a falar.
    - O que foi mãe? Não precisa me olhar assim – eu disse com um pouco de medo. Esse era um dom que Meg tinha, despertar medo nas pessoas. Então ela deu uma voltinha como sempre fazia quando estava preocupada e se sentou ao meu lado.
    - Estou cansada. – disse ela frustrada. Acho que agora sim eu senti o medo correr em minhas espinhas. Eu sabia que o cansaço dela não passaria se ela fosse dormir, era o outro tipo de cansaço, talvez, cansada de ser demitida, ou da vida corrida da cidade, de apartamento que mais parecia apertamento ou talvez, cansada de Verona. Essa ultima opção me fez tremer.
    - Sam? – rosnou ela me fazendo voltar a si.
    - Cansada do que? De trabalhar como balconista? – perguntei meio me fazendo de desentendida.
    - O trabalho não é o problema. O problema é se manter nele por mais de uma semana – ironizou ela.
    Ela olhava de um lado para o outro, como se estivesse procurando alguma coisa importante, ou então, escondendo alguma coisa importante. O que era pior. Meg era tão ruim em mentir como em guardar segredos. Ela titubeou, como quem se pergunta se era a coisa certa a fazer, falar-me a verdade. Pelo suspiro dela, era a única coisa a fazer. Não importava se era certa ou não. Não importava o quanto isso mudaria nossas vidas ou não. Era um fato. Um fato decidido…por ela. Um fato existente.
    – Paul vai viajar e eu estava pensando em…ir junto. – Essa ultima frase mais pareceu uma pergunta do que uma aprovação. As palavras atingiram meu peito como balas, como chicotadas, não era apenas uma mudança de endereço, era uma mudança de vida. Eu não sabia para onde minha mãe pretendia ir mas, eu certamente não estaria incluída em seus planos. E restava apenas um lugar para eu ficar, um lugar onde minha mãe sempre me levava quando não podia cuidar de mim. Ou dela. Mesmo sem querer saber a resposta, precisa perguntar, tratava-se de mim.
    - E eu? – perguntei numa voz inocente – Onde eu fico nessa história? – minha voz falhou, eu podia jurar que antes mesmo de saber a resposta, minhas lágrimas estavam preparadas, em posição de sentido, preparadas para saltar de meus olhos e deslizar sobre a minha face sem cor.
    - Talvez…- começou ela meio sem jeito – Em (cidade ainda não definida)? – Mesmo já prevendo isso, agora sim eu estava realmente com medo, a tão temida cidade, eu sabia que algum dia iria ter que voltar para lá. Mas essa idéia ainda parecia absurda em minha cabeça. (cidade ainda não definida) parecia uma cidade tão…difícil de se viver.
    Praticamente impossível. Nunca alguém como eu iria para lá. Claro, a menos que eu não tenha opção. E eu sabia que não tinha.
    “(cidade ainda não definida)”. Pensei. Lar de John, meu pai, de onde minha mãe fugirá quando eu tinha apenas dois meses, lugar onde, segundo sua descrição, era impossível de se morar. Não pela cidade, ela simplesmente odiava monotonia, e para meu desespero, eu também. Estava acostumada com a cidade grande. Eu conhecia (cidade ainda não definida), ia lá todo o verão até completar sete anos até que minha mãe deu um jeito de eu não ir mais para lá nem no verão nem em estação do ano alguma. Isso havia me deixado muito feliz, eu odiava a chuva, o frio até que me agradava, mas não a chuva, e (cidade ainda não definida) era a tal cidade onde se tivessem duzentos dias no ano, certamente em cento e noventa e quatro dias a chuva estaria presente. Sim, lá chovia praticamente todo o dia, sem falar na neve do inverno, e quando não chovia, era nublado e sem graça, era mais fácil chover no deserto do que fazer sol em (cidade ainda não definida). Eu não conseguia pensar em nada que me alegrasse em (cidade ainda não definida), alguma coisa inspiradora, alguma coisa que não me fizesse sair correndo de lá. Quem sabe…não, nada mesmo.
    - Já falei com John, ele receberá você de braços abertos, se quiser, Paul disse que leva você até a rodoviária. – ela me disse fazendo-me voltar a meu pesadelo real. Percebi um sorriso acolhedor em seus lábios, ela deveria estar tentando fazer eu me sentir melhor. Em vão. Eu já havia percebido que ela já havia planejado tudo, inclusive já havia até ligado para John, coisa que ela não fazia a mais de dois anos, sendo assim, eu não poderia estragar os planos felizes de minha mãe, não só de eu ir a (cidade ainda não definida), mas também de ela tentar ser feliz com Paul pelo menos uma vez.
    - Posso ter uma semana? – perguntei tentando aparentar que estava animada, lutei contra as lágrimas teimosas que teimavam em sair de meus olhos e escorrer pelas minhas bochechas brancas, quase anêmicas, zombando de minha frustração, mas para meu alívio consegui controlá-las. Mas mesmo assim meu nariz teimou em ficar vermelho. Pode parecer comum alguém ficar com o nariz vermelho quando chora mas, eu era diferente, pra variar, sempre que eu sentia vontade de chorar, meu nariz ficava vermelho. Mesmo que eu consiga conter as lágrimas. O nariz é algo incontrolável. Meg claro, sabia dessa minha característica. Ela notou meu nariz corado, e lançou-me um sorriso amarelo, forçado, quase um sorriso de tristeza, de consolação. Não. Era um sorriso de tristeza e de consolação, ela não queria que eu partisse. Nem eu.
    - Claro, e querida, sinto muito – desculpou-se infeliz. Mas eu sabia que por dentro, mesmo tendo receio de demonstrar, ela estava dando pulos e alegria. Não por se livrar de mim claro, que tipo de mãe ela seria? Mas por ter um tempo pra ela, e Paul.
    “Eu também” Pensei em segredo lutando mais uma vez contra as lagrimas.
    - Samanta. – chamou-me ela lembrando de algo – É…eu sei que prometi uma semana mas o avião decola na segunda.
    - Tudo bem – Pensei estar mentindo mas percebi que não fazia diferente. Eu tinha apenas dois dias mas…se eu não tinha escolha, era melhor eu ir logo.
    Segunda-feira. A tarde era novamente ensolarada quando fui pegar o avião para (cidade ainda não definida). Eu sabia que na metade do caminho o céu já ia escurecer e a temperatura cair, mas mesmo assim teimei em vestir minha blusa azul preferida de verão. Meg não me acompanhou até o aeroporto pois achava que não conseguiria se despedir então, eu fui sozinha. Como eu não tinha um guarda-roupa com muitas peças de inverno, Meg teve que comprar algo para eu não congelar em (cidade ainda não definida). Eu odiava vestir roupas de frio, não porque me deixava gorda, o que de fato fazia, mas por me dar a péssima impressão de eu estar sendo protegida, e eu odiava essa sensação. Sabia me virar sozinha. Seja o que vier. Novamente senti meu corpo tremer.
    O avião era diferente. Diferente de todos que eu já havia visto. Por fora ele era normal, claro que não podia ser diferente, mas por dentro. Pra começar havia uma capa de chuva em cada assento. Definitivamente (cidade não definida) não havia mudado nada. Os assentos eram de cor estranha. Verde. Um verde totalmente…verde. Se é que isso faz sentido. Parecia que ninguém nunca havia sentado ali antes. O couro do banco não tinha nenhum defeito visível a olho nu. E os assentos eram diferentes, não de dois em dois como de costume. Eram assentos individuais, dessa parte eu até que gostei, e o número de bancos era muito inferior do que dos aviões normais. Sim, era um típico avião de(cidade não definida). As janelas foram o que mais me impressionou, em forma de uma cabeça de leão. Eu não entendi isso até olhar para o banco da frente e ver uma sacola plástica com o logotipo da empresa, obviamente era um leão. Um leão branco, com os dois olhos vermelhos. Um pouco melancólico para uma empresa aérea. Afinal, eu acho que não havia nem zoológicos em (cidade não definida), quanto menos leões brancos, poderiam ter escolhido algo menos original, como uma águia. Tentei relaxar, não dando mais importância pra isso. Peguei um livro da minha bolsa aleatoriamente, já que havia tantos, eu gostava de trazer uma bolsa apenas de livros em minhas viagens. Para me distrair. O livro era de uma autora desconhecida. Abri em uma página qualquer e achei um trecho interessante, que de certa forma resumia o que eu iria enfrentar amanhã. O trecho era o seguinte:
    “Quando chega na minha sala, olhares curiosos e atentos se jogam em cima de mim e minha roupa, eu era a única que estava de uniforme, eu juro que podia matar Jane naquele momento, esse fato eu também tentei ignorar, apesar dos risinhos de canto de boca. As classes eram de madeira, madeira muito fina, parecia cadeiras chegadas há 5 minutos.”
    Consegui ler o livro inteiro. Era bom. Tinha a ver comigo. E com o que eu teria que passar nessa nova vida escolar em Forks. Recostei minha cabeça no encosto do assento e tentei dormir. Sem sonhar. Apenas dormir.
    A viagem foi curta, embora cansativa, eu havia, como Meg também fizera, pesquisado sobre (cidade não definida), ela tinha apenas 3627 habitantes, o equivalente ao número de alunos de minha antiga escola, daqui à uma hora 3628, isso me fez pensar, bom, a escola em que eu ia estudar se chamava High Scholl Forks, digamos que lá é onde estuda todos a quem John havia falado sobre mim. “Que ótimo” Pensei. Quando o avião pousou, cada um dos passageiros recebeu uma barra de cereal e um real, era parte das boas vindas ou algo assim. Para as crianças, era um incentivo a começarem a guardar dinheiro. Deram também um par de meias verdes, com um leão estampado, um leão branco. Um conhecido leão branco de olhos vermelhos.
    Quando cheguei na rodoviária vi alguém com uma plaquinha escrito “SAM”. Era um homem velho, mas não muito, na faixa de seus 45 anos, eu claro, sabia muito bem quem era. John, ele sempre era preocupado demais comigo na época que eu vinha para cá no verão, atravessar a rua era uma batalha. Eu sabia que ele era um pouco atrapalhado, preocupado, super protetor etc mas, será que podia chegar a tanto? Podia. Era inacreditável, quase ridículo, eu tive um pequeno impulso de rir, mas não consegui. John realmente achava que eu tinha mudado muito. Eu ainda era igual, branca como giz, o que eu nunca vou entender, pois meus pais sempre foram ambos digamos, bronzeados, John até que não é tanto, mas sua pele é bem corada, eu ainda era pequena, de baixa estatura, herança possivelmente herdada de meu pai, pois mamãe era alta e esguia como uma atleta de vôlei. Meus cabelos ainda eram longos e castanhos, com leve impressão de serem avermelhados.
    -Pai! – disse a ele um pouco sem jeito, eu não tinha permissão para chamá-lo de John, pelo menos não na frente dele, mas “pai” me incomodava um pouco, não muito, mais incomodava. – Há quanto tempo, tudo bem?
    “Há quanto tempo” Pensei por um instante e tive a impressão de que eu e ele compartilhamos o mesmo pensamento. Eu sabia que John nunca entendeu de verdade porque eu nunca mais vim para cá. Para (cidade não definida). Eu sabia que ele sentia saudades de mim, de quanto ele era imensamente sozinho. Sua vida limitava-se ao emprego, a sua casa e ao seu imenso interesse por leitura. Isso com certeza eu havia herdado dele. Eu também adorava ler. Letras para mim eram emoções que se juntavam em grupos formando sentimentos, formando palavras.
    - Claro Samanta! – ele parecia animado com a idéia de morarmos juntos por um tempo mais longo – Você vai gostar daqui.
    Olhei para ele com certas dúvidas, mas tentei esconder esse sentimento, sorri de um jeito que ele não pudesse questionar minha felicidade, ou tristeza, nem mesmo eu sabia. O fato de eu estar em (cidade não definida), de eu não gostar de (cidade não definida), na realidade não era esse o problema. O problema era viver longe demais de Meg. O problema era viver perto demais de John. Eu não sabia se o considerava como meu pai. Quando me dei por conta lembrei que John esperava uma resposta. Uma confirmação mais precisamente.
    - Claro pai, vai ser ótimo – concordei finalmente.
    “Ótimo” A palavra pareceu se repetir mil vezes em minha mente, cada vez se tornando mais frustrante. Eu tentava esconder meus sentimentos de John, talvez pelo fato de que todos os meus sentimentos eram frustrantes. Especialmente em relação a ele. Eu tentava esconder o máximo, para que ele não percebesse. Nem sempre dava certo.
    - O que houve Sam? Parece frustrada. Alguma coisa errada? – John perguntou-me, ele geralmente fazia perguntas mais…digamos, não tão obvias.
    “Droga, ele perceberá”.Pensei. Era fácil demais para John perceber as coisas, o difícil era escondê-las.
    - Não pai, só acho que vou ter que precisar de um tempo para me adaptar a (cidade não definida), de repente em uma semana eu já esteja fazendo amizades. E também sinto falta do sol de Verona. – respondi com sinceridade. Eu realmente sentia falta do sol e eu realmente achava que como as coisas andam por aqui, ou melhor, as novidades andam por aqui, logo eu iria ter amigos.
    - Não vai demorar tanto para fazer amizades. Eu acho. – disse ele com um sorriso malicioso nos lábios, claro que ele já aprontara alguma. John não devia ter se contido em contar que sua filha que abandonará a cidade na infância e nunca mais voltou, fosse morar com ele. Ele não conseguia acreditar. Nem eu.
    - Claro, já que você deve ter desenhado um anjinho para aqueles fanáticos por novidades não é? – perguntei quase braba. Na verdade, a essa altura eu já estava braba. Eu também tentava controlar minha raiva perto de John, eu não gostava de discutir com ele mas, conversar com ele de vez em quando era bem irritante. Eu era preguiçosa em puxar assunto, assim sendo, John o fazia. Mas o problema é que ele falava apenas da seleção de (cidade não definida), de carros e leitura. Para homens, leitura para homens machistas devo dizer. Outra coisa que me irritava em John. Perto dele, as mulheres eram inferiores, na cabeça dele claro. Ele precisava é de um filho. Não de uma filha. Mesmo porque, ano que vem completo 18 anos. Já vou ter idade para morar sozinha, não custa me deixar viver minha independência. Por que não me deixava morando com John apenas um ano. Mas a questão era: Eu aguentava um ano inteiro com John?
    - Há Sam, apenas desenhei a verdade – ele afirmou – Não podia dizer que você é o diabo em carne e osso. Ia pegar mal.
    Ele riu maliciosamente por alguns minutos, na verdade eu contei, por três minutos, até que se conteve e me olhou, segurando o riso.
    - Me acha uma anjinha? – o fitei com os olhos.
    - Sei que é. – Ele riu – Há Sammy, não fique braba, tudo dará certo amanhã.
    Ele me deu um beijo na testa e me acompanhou até o carro que iria nos levar até a casa dele. A casa de John, esse foi o nome que eu dei a casa, quando tinha cinco anos, pois a única coisa realmente significativa da casa era John, não havia mais nada, era apenas John e Deus. Atualmente, John, “eu” e Deus. Entrei no carro rapidamente sem dizer nenhuma palavra. Eu não queria mais conversar sobre carros então, fingi dormir trinta minutos para não puxar conversa. Pelo visto, funcionou.
    Quando chegamos á casa de John me deparei com a mesma casa de que eu havia encontrado nos meus sete anos de idade, exatamente igual, a única coisa que mudará era um pequeno detalhe, não estava chovendo. Era praticamente um milagre, ou talvez uma espécie de presente. Dois minutos depois já estava chovendo. “Maldita boca”. Pensei.
    - Sam – disse John interrompendo meus resmungos mentais – Você sabe onde fica seu quarto não é?
    - Claro…Se não mudou nada – eu disse sem nenhum humor na voz.
    - Na verdade não. – ele respondeu – A novidade é que instalei uma TV e comprei um notbook, ele tem Internet, ficará mais fácil você falar com Meg certo?
    - Nossa, ela fez isso? – perguntei sabendo que não fora John que havia planejado isso. Ele parece que vivia no século XX, acho que esta era a primeira vez que ele viu um computador.
    - O notbook…- começou ele sem graça – Ele ainda está na caixa, eu não sabia instalar. Se você também não conseguir instalá-lo eu posso ligar para…
    - Eu sei me virar – certifiquei a ele.
    - Certo. – disse-me sorrindo – Meg mandou um…Presente.
    - O que? – eu já estava adivinhando. Antes de me mandar pro fim do mundo, Meg me cobrou que eu tirasse muitas fotos pra ela e manda-se para ela via e-mail. Conseqüentemente, era uma câmera digital.
    - Uma câmera digital – disse John imitando meus pensamentos – Não se importa não é?
    Não respondi. Eu realmente me importava. Primeiro porque eu não gostava de tirar fotos, de aparecer em fotos, nem mesmo de olhar álbuns de fotografia. Muito menos da minha família, me dava uma espécie de…medo.
    - Vou para meu quarto – peguei minhas malas e subi.
    O quarto estava totalmente igual, paredes extremamente brancas e limpas, pois eu nunca fui de sujar paredes e porque John mandava a empregada limpar uma vez por mês, não, ele não tinha empregada, mas ele contratava uma, uma vez ao mês. O chão de madeira escura, provavelmente para não sujar, a porta era verde clara, com uma plaquinha escrita: Sam. Na entrada do quarto tinha um pequeno tapete azul escrito “bem vinda”, aquilo era novo para mim, provavelmente John havia colocado ali ontem. Havia uma porta, também verde, escrito “W.C”, pelo menos um banheiro só meu eu ainda tinha. A roupa de cama era verde forte, aliás, quando comecei a notar melhor os detalhes, quase tudo era verde, a mesinha, o criado-mudo, as canetas do lado do computador que John havia comprado, eram todas verdes, havia apenas uma azul com uma etiqueta escrita “emergência”, recordei-me que fui eu que coloquei a etiqueta nela, quando eu tinha meus quatro anos. Ainda tinha meus desenhos que eu dava para John quando era pequena, guardada em uma pequena gaveta de meu guarda roupa, que me surpreendeu, pois estava com algumas blusas de inverno, do meu tamanho. Fui em direção ao computador para ver se funcionava e me chamou a atenção a gavetinha da mesa trancada a chave, lembrei-me onde eu guardava a chave, no banheiro, em cima do espelho, verifiquei para ver se ainda estava lá e não tão surpreendentemente estava, resolvi abrir a gaveta, de cara encontrei um pequeno livrinho vermelho escrito “Diário”. Era incrível, eu o abri e comecei a folheá-lo. Havia várias anotações de minha infância, mas o deixei de lado, eu o leria depois. Enfim, basicamente a única diferença eram a TV, o notbook, alguns livros que John comprará e as cortinas, elas haviam desaparecido. Essa idéia me fez tremer. Dormir numa cidade fria e escura com as janelas totalmente abertas não era a minha idéia de sono perfeito. Pelo menos eu dormia no segundo andar o que me tranqüilizava um pouco, e claro, (cidade não definida) era muito tranqüila.
    “Até demais”. Pensei. Tentei dormir. Obviamente, não consegui. A única coisa que vinha a minha cabeça confusa era o tormento que iria ser amanhã, todos me chamando de Samanta, ou de “Filha de John”, o pior era que todos sabiam quem eu era, antes mesmo de me conhecerem, eu só esperava até poder ver a cara de decepção deles quando descobrirem que Samanta Scooth é uma garota sem graça e tímida. Pelo menos me deixarão em paz. Nada de sonhos esta noite, não sonhei, pudera, quem não dorme não sonha, e foi exatamente isso que aconteceu, eu não preguei o olho praticamente a noite toda, se eu conseguisse dormir duas horas seria um milagre. Milagre maior do que eu sobreviver amanhã. Boa sorte, era tudo que eu precisava. E tudo que eu não teria.
    Acordar de manhã foi um sacrifício, mas consegui realizá-lo. Como de costume, peguei minha escova de dente, creme de pentear, escova e fui para o banheiro, que eu tive a sorte de ser de uso único e exclusivo meu, o que eu achei surpreendente vindo de John. Pensei que ele preferia não ter a supressa de deparar-se com “coisas de menina” na gaveta do armário. Entrei no chuveiro e tive minha primeira surpresa: O chuveiro era roxo, um dos melhores do mercado, uma bela de uma ducha. Antes de ligar o chuveiro e despir-me como era de costume, passei o creme de pentear no meu cabelo e comecei a desfazer as maçarocas, maçarocas que só conseguiriam ser feitas por uma tempestade de areia no deserto, eu devo ter me mexido muito no avião, ainda bem que as cadeiras eram individuais. Demorei cerca de 5 minutos para meu cabelo ficar liso, ou melhor, o melhor possível. Tirei minha sapatilha e minhas meias para ligar o chuveiro, e quando ia me preparar para entrar no banho o telefone toca. “Meg, com certeza” Pensei. Calcei meu chinelo de pano e um roupão que achei pendurado atrás da porta, que havia pertencido a mim quando eu era pequena, e corri em direção á cama para não perder a ligação. Era mensagem, do celular de Paul, ela devia estar sem créditos. Abri a tela do celular e conferi a mensagem, era mesmo vinda de mamãe, a mensagem dizia o seguinte:
    “Samanta querida, que saudades, juro que nessas horas me deu vontade de ir aí e te buscar, mas lembrei que estou em Nova York. Aqui é lindo querida, você vai amar. Espero que esteja se divertindo (desculpe por isso) Beijos, Mammy! ♥ “
    Li a mensagem e escrevi de volta:
    “Porque não veio? Não, nem deu tempo ainda de me divertir (eu consigo resistir a uma mensagem de celular?). Espera aí que eu já te ligo Mãe”
    Mandei a mensagem e corri para minha mochila, abri a pequena bolsinha do lado da mochila e retirei um papel rosa, amassado, contendo alguns números, Meg havia trocado de celular um dia antes de sairmos de…Verona, e eu ainda não havia memorizado muito bem o número. Disquei os números referentes ao papel e esperei, no primeiro toque Meg atendeu.
    - Sam? – ela perguntou ansiosa – Sam, é você querida?
    - Oi mãe – respondi com saudades – E então? Porque ainda não veio?
    - Aonde? – Meg perguntou, mas depois de alguns segundos lembrou-se da mensagem – Há…Sammy, você tem que entender…
    - Tudo bem mãe – menti – Eu estava brincando. Como é a nova casa? – perguntei.
    - Na verdade Sam, é apartamento – ela admitiu envergonhada.
    - Hm, achei que você fosse dar um tempo dos apertamentos – eu disse rindo.
    - Bem, não é bem um “apertamento”, na verdade é bem… – ela deu uma pausa, tomou fôlego e concluiu -…grande.
    - Uau, Paul está indo bem para um primeiro dia – eu disse surpresa – Ele está trabalhando?
    - Ainda não Sammy, ele começa amanhã – Meg disse orgulhosa – E…- ela disse insegura -…e eu também.
    - Você? – perguntei fingindo surpresa – Ainda não foi demitida?
    - Ha, Ha, Ha – Meg riu sem humor nenhum – Mas vamos parar de falar sobre mim, e você? – ela perguntou.
    - O que que tem? – perguntei surpresa, o que poderia ter acontecido comigo nesse espaço de tempo?
    - Não conheceu ninguém? – ela perguntou – Nenhum gatinho? Nenhuma garota legal?
    - Isso não será um problema, com certeza – respondi a ela.
    - Porque?
    - John anunciou minha chegada para todo mundo, sou mais esperada aqui do que o sol – ironizei – Pode me fazer um favor?
    - Todos – ela ofereceu – Mas o que você quer exatamente.
    - Me mande por e-mail… – comecei -…sabe, aqueles poemas que eu tenho guardado na pasta “Seal purple”, do seu notbook. Pode fazer isso?
    - Claro, querida – Meg respondeu – Ainda tem cartão?
    - Dois reais na verdade – confessei – Mas não faz mal…amanhã vou abastecer.
    - Querida – Meg interrompeu-me – Desligue e vá tomar banho ok?
    - Como sabe que eu ia tomar banho? – perguntei surpresa.
    - Sammy, eu sou mãe, sei tudo sobre você, além disso, você sempre toma banho a essa hora, inconscientemente – ela riu – Me ligue amanhã depois da escola, quero saber como foi tudo.
    - Claro – respondei – Te amo mãe.
    - Y love you babe. – ela disse arriscando seu inglês – Beijo.
    - Beijo – eu retribui – Te amo.
    Então Meg desligou o telefone, eu fiquei dois minutos com o celular no ouvido, apenas ouvindo o barulho seco do telefone, que havia posto fim na conversa. Então me lembrei de que devia tomar banho. Desliguei o celular e o coloquei no silencioso, dentro da gaveta da cômoda, quem havia de ligar já havia ligado, eu podia tomar meu banho tranquila. Dirigindo-me ao banheiro dei de cara com alguém. Fiquei aliviada quando reconheci minha imagem no espelho. Percebi que aquele roupão estava tão curto que me servia quase como camiseta. Entrei no chuveiro e apreciei o banho quente.
    Depois que saí do banho, vesti-me e escovei os dentes, comecei a escovar meu cabelo, ele podia estar mais liso hoje, pelo menos, não tão embaraçado, apenas hoje. Para minha alegria foi surpreendentemente fácil escovar meu cabelo, então, pronta para descer e tomar café, fui em direção á cozinha. Passando pelo quarto pude ouvir os roncos de John, ele ainda dormia. Desci mais tranquila, sabendo que ninguém iria me questionar sobre como eu estava, ou se estava feliz, ou preparada. Quando cheguei á cozinha, abri os armários e não encontrei absolutamente nada, nem farinha, nem biscoitos, nem leite, tinha apenas café e ovos, eu tinha que ir imediatamente ao supermercado fazer compras, mas por enquanto, me virei com o que tinha. Para minha sorte tinha presunto e queijo na geladeira, e um pão escondido na parte superior do armário. Preparei duas omeletes e duas torradas, e claro, café preto, sem leite. Como eu simplesmente odeio café puro, bebi água, e comi a omelete, mas não agüentei e tive que dar um ou dois goles no café de John. John desceu quase meia hora depois de eu ter arrumado o café, ele já estava vestido para o trabalho, ele era enfermeiro no hospital local da cidade. Quando chegou na cozinha, ao olhar para a mesa ele surpreendeu-se, acho que não via um café da manhã a muito tempo.
    - Olá querida. – ele disse quebrando o silêncio – Fez o café?
    - Claro, mas…- continuei -…porque está tão surpreso, já devia estar familiarizado aos ovos.
    Ele não pareceu entender.
    - Quer dizer, é que na sua geladeira só tem ovos – eu disse lembrando-o.
    - Nossa. – ele surpreendeu-se – Mesmo?
    - Mesmo. – eu disse sorrindo – Porque não senta e come?
    - Porque estou atrasado. – admitiu ele – Mas, posso levar para o lanche.
    Ele encarou-me sorrindo.
    - Claro, eu embrulho pra você. – eu disse – A que horas você volta?
    - Hoje por alguma razão mudaram meu horário, eu vou trabalhar até a uma da tarde… – ele disse insatisfeito, mas continuou –…e depois vou das três da tarde até ás oito da noite.
    - Tá. – eu disse – Então, tchau. Quer dizer, acho que vamos juntos, eu também vou sair agora.
    - Não vai de moto? – ele perguntou surpreso, acho que ele não entendia como alguém que trouxe uma moto dentro do avião não tinha interesse em usá-la.
    - Prefiro ir de ônibus – eu disse – Posso conhecer a cidade.
    - Vamos então? – ele perguntou.
    - Vamos – concordei.
    Então nós dois saímos de casa, John trancou a porta e me acompanhou até o ponto de ônibus, demorou uns dois minutos até o ônibus chegar, na verdade, o ponto de ônibus era quase em frente á nossa casa. Quando o ônibus chegou, eu entrei e John ficou.
    - Não vai vir? – perguntei.
    - Na verdade não – admitiu ele – Renam vem me buscar, ele me deve um favor.
    - Tudo bem então. – eu me inclinei e dei um beijo desajeitado em sua testa, nenhum de nós dois tinha jeito para essa coisa de pai e filha amorosos – Tchau.
    - Tchau – ele respondeu. Eu entrei no ônibus.
    Quando o ônibus ia se afastando, vi Renam chegar no seu carro, ele era da idade de John, mas visivelmente já havia passado do cargo de enfermeiro, devia ser médico, na verdade, ao olhar pelo seu carro você presume que ele seja enfermeiro, mas suas roupas, seus sapatos, tudo indicava um médico, seus poucos fios de cabelos brancos, e John havia me contado uma vez que ele tinha dois carros, o Cheveti que ele estava usando, e um outro que eu não me lembrava o nome, com certeza mais caro que nossa casa, a casa de John.
    Enquanto o ônibus girava a cidade, tentei prestar atenção nas livrarias, nos supermercados etc, nas lojas mais interessantes, onde ficava o hospital, os bombeiros, o banco, o centro, enfim, conhecendo a cidade. O ônibus também era estranho, igual ao avião, havia acentos duplos, mas os já conhecidos adesivos de um leão branco estavam espalhados por todo o ônibus, por dentro e por fora. Percebi que estávamos na área nobre da cidade, era um bairro fino, com casas bonitas e caras, pessoas bem vestidas e sorrisos extremamente brancos entre os vizinhos, com certeza, uma vizinhança pacífica. Ao chegarmos no centro, desembarquei instintivamente do ônibus, o que me custariam umas boas seis quadras de caminhada até o colégio. Avistei uma banca a uns cem metros de distância e resolvi entrar. Chegando lá comecei a procurar um mapa turístico da cidade, a moça que atendia, percebendo meu desespero perguntou:
    - O que deseja? – perguntou ela.
    Olhei rapidamente para trás e vi uma moça loira, alta, muito bonita, com um sorriso embaraçado olhando para mim através das lentes de seu óculos.
    - Hã…oi – eu disse tentando sorrir – Eu gostaria de um mapa.
    - Claro, um mapa – ela suspirou aliviada – Mapa do Brasil, América, Mapa Mundial?
    - Na verdade eu queria o mapa local mesmo – exclamei ansiosa.
    Ela me olhou, confusa, tentando entender o significado de minhas palavras.
    - Hm… – eu comecei – …na verdade, eu queria o mapa da cidade, sabe, de (cidade ainda não definida).
    Ela revirou os olhos, bebeu um gole de água que tinha no balcão e disse:
    - Não temos, sinto muito, não são feitos mapas de (cidade ainda não definida) – ela achou engraçado, como se eu fosse obrigada a saber disso.
    - Você está perdida? – perguntou ela, preocupada.
    - Não, é que… – eu disse nervosa – …meu pai sabe, ele não é muito bom de cozinha, eu precisava de orientação. Supermercados, farmácias, livrarias, etc.
    Ela pensou um segundo e depois pegou um papel e caneta e começou a desenhar, pensei em sair mas ela fez um gesto com a mão pedindo para que eu esperasse. Então, depois de um minuto, ela me entregou um papel rabiscado. Eu olhei confusa para aquelas ruas e nomes.
    - É praticamente o mapa dos lugares que você disse, os mais importantes, supermercados, farmácias, livrarias, hospitais…shoppings – ela praticamente sussurou essa ultima palavra, e olhou para mim, de cima a baixo, eu, logo eu, que vestia uma calça jeans e uma blusa de manga curta.
    - Obrigada – disse eu tentando ser simpática – Quanto é?
    Evidentemente ela riu.
    - Cortesia – ela disse debochando.
    - Obrigada – murmurei. Coloquei a mão no bolso e lhe entreguei uma nota de cinco reais. Ela me olhou, mas não pegou a nota.
    - Está tentando ser engraçada? – Ela disse séria.
    - Claro que não, mas você me ajudou – lembrei a ela – É justo que eu te ajude também.
    - Obrigado então – Ela sorriu e pegou a nota de minha mão. Lembrei que eu já estava quase me atrasando.
    Da banca ao colégio, fui ouvindo música, eu havia ganhado um rádio MP4 de mamãe no meu aniversário e claro, já havia recheado ele de músicas tristes. Comecei com “Wonderwall” do Oasis. Meus pés já não sentiam o toque no chão de tão distraída que eu estava, eu estava contemplando um milagre, eu não fora atropelada. Quando me dei por mim, estava na frente da escola. Era uma escola simples, como todas as outras que eu já conhecia, havia uma entrada pela lateral, como eu sou predestinada a me perder, entrei nessa entrada. A entrada errada claro. Tombei com uma garotinha, de uns cinco anos, ela me olhou curiosa e logo perguntou:
    - Se perdeu? – Ela perguntou ansiosa, talvez queria ser guia de alguém.
    - Aqui não é a entrada da escola? – perguntei surpresa – É que eu vi a porta e…
    - Não – ela me interrompeu – Tem um portão três vezes maior do que essa porta bem no centro do muro principal da escola, ali é a entrada – Ela riu e saiu correndo contar para os pais de minha gafe. Aproveitei e discretamente – ou não, pois levei dois tombos pelo caminho – me dirigi a secretaria. Hoje realmente era meu dia de sorte. Também não havia mapas. Na verdade, havia, mas já haviam acabado. Mais uma vez, uma mulher de meia-idade, com cabelos grisalhos, a pele não muito velha, me entregou o seu mapa, desenhado a mão.
    - Primeira aula é a de Física querida, esse mapa irá ajudar, mas será melhor você contratar um guia – disse ela alegre.
    - Hm, acho que não vou precisar, eu trouxe o meu no bolso – Eu disse, tentando ser engraçada para a piada fazer efeito. Ela não entendeu a piada, olhou-me curiosa, e se inclinou sobre a mesa, tentando alcançar meus bolsos com os olhos.
    - Foi brincadeira – eu a alertei – De qualquer forma, obrigada.
    Ela ficou vermelha e apenas assentiu com a cabeça. É, estava na hora, a hora tão pouco esperada por mim e por meu coração. Ao entrar no corredor senti um aperto no peito, minha cabeça parecia um rádio, a música “Fix You” de Coldplay rodava na minha cabeça em volume máximo. Demorei alguns segundos para perceber que eu havia esquecido de tirar os fones do MP4. Rapidamente fiz isso, e andei em direção aos armários, o meu era o número 204, sim, os armários eram numerados. Achei aquilo tão ridículo quanto eu, andando pelo corredor da escola nova, porém desconhecida, totalmente sem rumo. Eu estava procurando algo, apenas não sabia bem o que era. Mas eu sabia, que de uma forma ou de outra, eu devia começar pelo começo.

  2. 2

    brunacullen155 disse,

    Se tiver algum nome incoerente é que os nomes eram outros antes. Tirando o da cidade, esse eu ainda nao defini. Por enquanto é (cidade ainda não definida) Sujestões?

  3. 3

    twilightwords disse,

    Oii!
    Olha sóh…
    Jáh add o link,ok?
    Brigadinha e sucesso pra pro teu bolg *-*

  4. 4

    Amanda disse,

    adorei seu blog, tem varias noticias. adorei o lay


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